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Viajei para compreender mais profundamente o ser humano e o nascimento de seus direitos. Não venho do campo acadêmico tradicional. Sou terapeuta humanitária espiritualista, e meu trabalho consiste em escutar o que se manifesta nas camadas mais profundas da mente humana e das emoções. Ao longo da minha trajetória profissional, aprendi que muitos conflitos sociais têm origem em dores não reconhecidas, em histórias silenciadas e na ausência de escuta qualificada.
A participação no Curso Internacional de Direitos Humanos, realizado em Coimbra, representou a realização de um sonho pessoal: estar inserida em um ambiente acadêmico e dialogar com o pensamento científico sobre a complexidade da convivência social. Essa vivência permitiu ampliar minha compreensão sobre o papel dos Direitos Humanos na construção de uma sociedade mais justa, consciente e comprometida com o bem-estar coletivo.
Um dos grandes desafios enfrentados no campo dos Direitos Humanos ainda é o senso comum que associa essa área exclusivamente à defesa de infratores ou à atuação restrita aos tribunais. No entanto, a experiência formativa em Coimbra evidenciou que os Direitos Humanos são, antes de tudo, um instrumento de promoção da dignidade da pessoa humana, do direito à vida e da convivência social saudável. Ainda que os avanços ocorram de forma gradual, são passos firmes em direção a uma sociedade mais consciente de suas responsabilidades coletivas.
Outro aspecto relevante do curso foi a valorização da pluralidade de lideranças e saberes presentes na formação. A abertura para diferentes perfis profissionais amplia o alcance dos Direitos Humanos para além do sistema jurídico, permitindo uma escuta ativa das realidades vividas em cada comunidade. Essa abordagem favorece a identificação das reais demandas sociais e fortalece a corresponsabilidade comunitária na garantia do direito à vida e ao bem-estar.
A capacitação da sociedade civil, nesse contexto, revela-se fundamental. A formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres contribui para a prevenção de conflitos, para a redução da violência e para o fortalecimento de uma cultura de paz. Quando se atua na raiz dos problemas sociais, abrem-se caminhos para soluções mais efetivas e duradouras, auxiliando inclusive o próprio sistema de Justiça, que passa a lidar com uma sociedade mais informada e participativa.
Essa vivência acadêmica impactou diretamente o curso que ministro, intitulado Terapeutas Humanitários. A formação tem como objetivo preparar agentes capazes de analisar, de forma profunda, as origens emocionais dos conflitos que se refletem na convivência social. Ao incorporar fundamentos dos Direitos Humanos, o curso busca oferecer aos participantes uma base mínima de compreensão sobre seus direitos e sobre os caminhos institucionais disponíveis para efetivá-los, promovendo consciência, responsabilidade social e atuação ética.
Dessa forma, participar da quinta edição do Curso Internacional de Direitos Humanos, na Faculdade de Coimbra, foi profundamente enriquecedor. A experiência reafirmou que os Direitos Humanos não pertencem apenas aos códigos e tribunais, mas se constroem diariamente na escuta, na educação, na prevenção de conflitos e no compromisso coletivo com a dignidade humana.
Por Cristiane Aparecida
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