O QUE É A JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE?
A judicialização da saúde no Brasil é o fenômeno em que os cidadãos recorrem ao Poder Judiciário para garantir o acesso a medicamentos, tratamentos, exames, cirurgias ou leitos de UTI, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) ou operadoras de planos de saúde não os fornecem de forma administrativa. Isso reflete uma intervenção do Judiciário em questões de políticas públicas e gestão da saúde para garantir o direito à vida e à saúde, previstos na Constituição.
O DIREITO CONSTITUCIONAL À SAÚDE
O artigo 196 da Constituição Federal de 1988 consagra a saúde como direito fundamental de todos e dever do Estado, garantido por políticas sociais e econômicas que reduzam riscos de doenças e assegurem o acesso universal, igualitário e integral às ações de promoção, proteção e recuperação, com base no Sistema Único de Saúde (SUS).
JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE NO SUS
A judicialização da saúde no Brasil refere-se ao aumento do acionamento do Poder Judiciário por cidadãos para garantir o acesso a medicamentos, tratamentos e procedimentos médicos que não foram fornecidos voluntariamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou operadoras de saúde.
AÇÕES CONTRA PLANOS DE SAÚDE
Ações judiciais contra planos de saúde no Brasil bateram recordes, impulsionadas por negativas de cobertura, reajustes abusivos e recusas de tratamentos fora do rol da ANS.
Principais Demandas e Ações Judiciais:
Negativa de Cobertura de Tratamentos: Frequentemente envolvendo tratamentos oncológicos, cirurgias complexas, procedimentos de urgência/emergência e terapias para TEA (como ABA).
Tratamentos Fora do Rol da ANS: O STF decidiu que planos de saúde devem autorizar procedimentos fora da lista da ANS, desde que cumpridos requisitos técnicos (como recomendação médica baseada em evidências).
Reajustes Abusivos: Foco em aumentos de planos coletivos e por faixa etária que superam os limites da ANS, muitas vezes considerados abusivos e contestados em ações.
Cancelamento Unilateral: Rescisão de contratos sem justa causa ou por inadimplência sem notificação prévia.
O PAPEL DO ADVOGADO NA JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE
O papel do advogado na judicialização da saúde no Brasil transcende a mera postulação judicial, configurando-se como um facilitador do acesso ao direito fundamental à saúde, muitas vezes contornando falhas do SUS ou negativas de planos de saúde. A atuação prática exige especialização, capacidade de transitar entre a urgência clínica e o rito processual, e a habilidade de produzir provas técnicas robustas para convencer o julgador.
IMPACTOS NA JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE NO SISTEMA PÚBLICO E PRIVADO
A judicialização da saúde no Brasil, caracterizada pelo aumento do acionamento do Poder Judiciário para garantir acesso a medicamentos, procedimentos, exames e leitos (SUS ou planos privados), gera impactos profundos e multifacetados.
Reflexos Econômicos
Sistema Público (SUS): O fornecimento de medicamentos de alto custo e tratamentos não incorporados ao SUS via liminares desvia recursos planejados para políticas preventivas e atenção primária.
Sistema Privado: Operadoras de planos de saúde enfrentam aumento de custos, especialmente devido a decisões que obrigam cobertura de tratamentos fora do Rol da ANS. Isso pressiona reajustes contratuais acima da inflação.
Sequestro de Verbas: A demora na efetivação de decisões pode levar ao “sequestro” de recursos públicos de contas municipais, estaduais ou federais, desorganizando as finanças.
Reflexos Administrativos
Desorganização do Planejamento: A gestão pública é forçada a realocar verbas de forma inesperada, prejudicando o planejamento de longo prazo e a compra eficiente de medicamentos (compras fracionadas são mais caras que compras por licitação de volume).
Falta de Evidência Científica: Muitas decisões judiciais são baseadas em urgência e não em evidências científicas sólidas ou diretrizes da CONITEC, gerando insegurança na oferta de tratamentos.
Atuação dos NAT-JUS: Para minimizar os impactos administrativos, o CNJ tem incentivado o uso dos Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NAT-JUS), que oferecem notas técnicas fundamentadas para subsidiar os juízes.
Reflexos Sociais
Desigualdade de Acesso (Isonomia): A judicialização pode beneficiar quem tem mais acesso à informação e advogados, em detrimento de outros pacientes em situações idênticas, que esperam nas filas regulares.
Quebra da Integralidade: O foco em tratamentos individuais de alto custo pode comprometer a universalidade, ao consumir verbas que atenderiam a um número maior de pessoas.
Garantia de Direitos em Urgências: Por outro lado, a judicialização é vista como um mecanismo legítimo para garantir o direito à vida e à saúde, especialmente quando há negligência na prestação de serviços essenciais pelo Estado.
TENDÊNCIAS E ENTENDIMENTOS DOS TRIBUNAIS
A judicialização da saúde no Brasil, tem passado por um processo de racionalização e estabelecimento de critérios mais rigorosos pelos Tribunais Superiores (STF e STJ). O objetivo é equilibrar o direito constitucional à saúde (art. 196 da CF) com a sustentabilidade financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) e as evidências científicas.
ESPECIALIZAÇÃO E CAPACITAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE
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