Fusões e aquisições de empresas: papel do advogado e aspectos essenciais
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Fusões e aquisições de empresas: papel do advogado e aspectos essenciais

16 fev 2021
Última atualização: 03 julho 2025
Fusões e aquisições de empresas: papel do advogado e aspectos essenciais

As fusões e aquisições de empresas (também conhecidas pela sigla M&A, do inglês “mergers and acquisitions”) são, basicamente, negociações realizadas entre instituições empresariais com o objetivo de unir operações, aumentar a competitividade e fortalecer a presença no mercado. Entretanto, há uma diferença no conceito dessas palavras: enquanto a fusão representa a união entre sociedades para criação de uma nova entidade, a aquisição ocorre quando uma empresa absorve o controle de outra.

Ambas as operações envolvem aspectos jurídicos, financeiros, contábeis e estratégicos complexos, sendo fundamental a atuação de advogados especializados em fusões e aquisições.

Vantagens das fusões e aquisições empresariais

Empresas que optam por processos de M&A podem se beneficiar de diversas formas:

  • Absorção de novas tecnologias;
  • Ampliação da carteira de clientes;
  • Acesso a novos mercados;
  • Ganho de escala e eficiência operacional;
  • Maior preparação para situações de crise;
  • Redução de custos por sinergias operacionais.

Esses benefícios, no entanto, só se concretizam quando o processo é bem planejado, executado com segurança jurídica e conduzido por profissionais experientes.

Quais são os principais aspectos das fusões e aquisições?

Há vários aspectos relevantes nas operações de M&A. Um dos principais é que essas transações não devem gerar oligopólio ou monopólio, comprometendo a livre concorrência. Por isso, as fusões e aquisições devem ser submetidas à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Atuação do CADE

O CADE é responsável por analisar e decidir sobre a legalidade das operações, garantindo que não haja abusos de poder econômico. O órgão atua com base na Constituição Federal e na Lei da Livre Concorrência, protegendo:

  • Livre iniciativa;
  • Defesa dos consumidores;
  • Função social da propriedade;
  • Repressão ao abuso de poder econômico.

Operações no setor financeiro

Quando a operação envolve instituições financeiras, a competência para fiscalização é do Banco Central do Brasil (BACEN).

Qual é o papel do advogado em fusões e aquisições de empresas?

O advogado especializado em fusões e aquisições é uma figura central em todas as fases do processo. Sua atuação visa garantir segurança jurídica, conformidade regulatória e o melhor interesse do cliente.

Atribuições do advogado em M&A

  • Avalia os riscos do negócio;
  • Coordena os processos de due diligence;
  • Redige contratos e acordos;
  • Revisa cláusulas que possam comprometer o comprador ou o vendedor;
  • Atua como mediador entre as partes envolvidas;
  • Atua junto ao CADE ou BACEN, quando aplicável.

Exemplos práticos

  • Fusão entre Itaú e Unibanco: criação do Itaú Unibanco;
  • Aquisição da Sadia pela Perdigão: origem da BR Foods (BRF).

Esses casos exigiram uma atuação jurídica altamente especializada, com foco na reestruturação societária e na prevenção de passivos ocultos.

A importância do compliance em M&A

Um ponto que merece destaque é a necessidade de implementar ou reforçar programas de compliance nas empresas envolvidas em uma operação de M&A. Isso é relevante tanto para a continuidade dos negócios quanto para a imagem da organização após a transação.

Entre as principais ações, destacam-se:

  • Avaliação de riscos legais, regulatórios e reputacionais;
  • Análise da conformidade com leis anticorrupção, como a Lei nº 12.846/13;
  • Identificação de práticas internas incompatíveis com a legislação;
  • Reestruturação de códigos de conduta e canais de denúncia.

Empresas que mantêm uma cultura de integridade reduzem a exposição a sanções administrativas e danos à reputação.

Checklist: o que o advogado deve considerar

Para que a atuação em fusões e aquisições de empresas seja eficaz, o advogado deve:

  • Ir além do Direito e analisar questões estratégicas;
  • Ter visão de futuro;
  • Apontar riscos e oportunidades do negócio;
  • Investigar a situação jurídica e financeira da empresa-alvo;
  • Focar no que é relevante para o cliente;
  • Estudar profundamente a legislação societária e tributária;
  • Ser preciso na redação dos contratos;
  • Manter registros de pendências e condições.

Soft skills para o advogado de M&A

Além do conhecimento técnico, o advogado que atua com fusões e aquisições de empresas deve desenvolver competências interpessoais que favoreçam sua atuação. Entre as principais habilidades, destacam-se:

  • Negociação e persuasão: para mediar conflitos e alinhar interesses;
  • Comunicação clara e objetiva: essencial em reuniões, relatórios e audiências;
  • Visão analítica: para antecipar problemas e encontrar soluções viáveis;
  • Gestão de tempo e prazos: devido à complexidade e à multiplicidade de documentos;
  • Trabalho em equipe multidisciplinar: envolvendo contadores, economistas, engenheiros e outros profissionais.

Essas competências e habilidades de um advogado são tão importantes quanto a formação jurídica tradicional e contribuem diretamente para o sucesso de uma operação de M&A.

Valuation: estimativa de valor com segurança jurídica

O valuation é um processo crítico em fusões e aquisições, pois define o valor justo da empresa. Embora a parte financeira lide diretamente com a análise dos dados, é essencial que o advogado esteja envolvido para:

  • Avaliar os impactos legais do modelo escolhido;
  • Garantir que os dados utilizados são auditáveis e transparentes;
  • Proteger o cliente contra superavaliações ou subavaliações abusivas;
  • Analisar cláusulas de earn-out e contingências contratuais;
  • Integrar aspectos financeiros e jurídicos para uma avaliação precisa.

Due Diligence: investigação jurídica aprofundada

A due diligence é uma auditoria jurídica, fiscal, trabalhista e ambiental da empresa que será adquirida. Ela tem como objetivos:

  • Identificar riscos e passivos ocultos;
  • Mapear litígios e pendências tributárias;
  • Avaliar a conformidade regulatória;
  • Proteger o comprador de surpresas futuras;
  • Validar contratos com fornecedores e clientes;
  • Verificar órgãos reguladores e licenças vigentes.

Durante essa etapa, o advogado analisa toda a documentação societária, contratos vigentes, histórico de processos judiciais, entre outros.

Eficiência fiscal e segurança tributária

A estruturação fiscal da operação é outro ponto fundamental. Um planejamento tributário bem-feito evita:

  • Incidência indevida de impostos;
  • Multas por descumprimento de obrigações acessórias;
  • Perdas financeiras futuras;
  • Riscos de autuação fiscal após a conclusão da operação.

A atuação do advogado é essencial para garantir a eficiência fiscal da fusão ou aquisição, especialmente em momentos de instabilidade econômica, como o que o Brasil atravessa.

A importância de um jurídico interno estratégico

Para empresas que realizam operações frequentes de M&A, contar com um departamento jurídico interno bem estruturado é um diferencial competitivo.

Quando os advogados internos conhecem profundamente a empresa, conseguem:

  • Identificar oportunidades de aquisições vantajosas;
  • Avaliar riscos de forma mais assertiva;
  • Colaborar com consultores externos de forma eficaz;
  • Aumentar a agilidade nos processos de negociação;
  • Reduzir custos com assessorias externas recorrentes.

Advogado em M&A: carreira promissora e especializada

A atuação em fusões e aquisições exige formação sólida em Direito Empresarial, Societário e Tributário, além de conhecimento de inglês jurídico e experiência em negociação.

Advogados que desejam se especializar nessa área devem:

  • Investir em pós-graduações de qualidade;
  • Participar de cursos de curta duração focados em M&A;
  • Acompanhar cases e jurisprudências recentes;
  • Desenvolver competências em finanças e contabilidade;
  • Atuar em escritórios que ofereçam oportunidades de participação em operações;
  • Estar atento à legislação internacional, em casos de M&A transfronteiriço.

Tendências atuais em fusões e aquisições

Nos últimos anos, algumas tendências têm se destacado no mercado de M&A no Brasil:

  • Fusões de startups com grandes corporações buscando inovação e tecnologia;
  • Crescimento do setor de tecnologia, saúde e energia renovável;
  • Adoção de cláusulas ESG (ambientais, sociais e de governança) nos contratos;
  • Fortalecimento de operações via SPACs (Special Purpose Acquisition Companies);
  • Consolidação de pequenas empresas para formar grupos mais competitivos.

O advogado atualizado e atento às movimentações do mercado tem mais chances de oferecer orientações estratégicas a seus clientes e de se destacar como referência na área.

Pós-graduação em Direito

As fusões e aquisições de empresas são estratégias valiosas para o crescimento empresarial, mas exigem preparo técnico e visão estratégica. Por isso, o mercado busca advogados altamente qualificados e atualizados com as exigências regulatórias, contratuais e societárias.

Se você deseja atuar com M&A ou se destacar no Direito Empresarial, investir em uma pós-graduação em Direito é um passo essencial. Esse tipo de formação aprofunda o conhecimento jurídico, desenvolve competências analíticas e amplia o networking profissional, diferenciais indispensáveis para quem quer conquistar espaço em um setor tão competitivo.

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1. EBRADI é online?

A Escola Brasileira de Direito é 100% online. Todos os seus cursos são oferecidos na modalidade a distância. Para alunos de pós-graduação, inclusive, a avaliação é feita por meio de ferramenta online com reconhecimento facial para garantir a segurança e autenticidade.

2 Quando iniciam as aulas?

As aulas têm início imediato, após confirmação de pagamento. Exceto para cursos em pré-lançamento – neste caso consulte a data informada no site.

3. Qual a validade do diploma digital?

A assinatura digital é um conjunto de dados criptográficos incorporados a um documento. Por essa razão, precisa de estar no ambiente digital, uma vez que há necessidade de softwares e sistemas específicos ler e compreender estes dados criptografados. O papel não é capaz de guardar a criptografia que garante a autenticidade da certificação digital. O Diploma Digital é um XML com assinatura digital e carimbo de tempo ICP-Brasil. Ao imprimir, estes dispositivos deixam de existir e passam ser apenas uma cópia não assinada e sem validade jurídica. O MEC, preocupado com toda essa questão, elucidou esse problema ao permitir que os alunos tenham uma cópia impressa com as mesmas características do diploma físico, o que denominamos Representação Visual Diploma Digital – RVDD. Esta RVDD, terá as mesmas características do diploma físico que você conhece e que sua instituição adota. A diferença é que esta representação visual terá dois mecanismos para fazer essa ligação do mundo real para o virtup al. A RVDD apesar de não ser o diploma, ela é a interface para remeter, com auxílio do QR Code por exemplo, para onde estará o seu Diploma Digital dentro desse universo eletrônico, de forma rápida, prática e segura. Somente de posse do seu QR Code ou do código de validação do seu diploma será possível ter acesso ao seu XML do Diploma Digital.

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