O QUE É ACCOUNTABILITY?
Accountability é um conceito amplo que vai além da “prestação de contas”, englobando transparência, responsabilização e controle de ações e decisões por parte de agentes públicos ou privados.
Originário do inglês, o termo implica a obrigação de justificar ações, aplicar sanções quando necessário, promovendo a cultura de transparência e responsabilidade.
No contexto público, a accountability assegura que o poder público preste contas de suas ações à sociedade, sendo um dos pilares da governança.
O QUE É TRANSPARÊNCIA PÚBLICA
Transparência pública é a obrigação e prática da administração pública de disponibilizar informações de forma clara, acessível e compreensível sobre seus atos, gastos e decisões. Diferente da simples publicidade (tornar público), a transparência foca na qualidade da informação para facilitar o controle social, a participação cidadã e o combate à corrupção.
DIFERENÇA ENTRE ACCOUNTABILITY E TRANSFERÊNCIA
Accountability e transparência são pilares fundamentais da gestão pública moderna e da democracia, frequentemente confundidos, mas com distinções conceituais claras e uma relação profunda de complementaridade.
Transparência: Refere-se à disponibilização de informações sobre atos, gastos e decisões da administração pública, facilitando o controle social. Transparência é abrir dados (ex: Portais da Transparência, Lei de Acesso à Informação).
Accountability: Conceito mais amplo que envolve a obrigação de gestores públicos prestarem contas, responderem por suas decisões e sofrerem sanções ou receberem reconhecimento. Ela se baseia em três pilares: informação (transparência), justificação (explicação) e sanção (responsabilização).
FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS DA TRANSPARÊNCIA E DO CONTROLE
Os fundamentos constitucionais da transparência e do controle na administração pública brasileira baseiam-se na Constituição Federal de 1988 (CF/88), que estabeleceu a publicidade como regra, o acesso à informação como direito fundamental e definiu princípios norteadores para a gestão ética e democrática.
Princípios Constitucionais da Administração Pública
A CF/88, em seu Artigo 37, caput, determina que a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes obedecerá aos seguintes princípios fundamentais:
Legalidade: A administração só pode agir conforme a lei.
Impessoalidade: A atuação pública não pode visar interesses pessoais ou políticos, sendo vedada a autopromoção de autoridades na publicidade oficial.
Moralidade: Exige ética, honestidade e boa-fé na conduta dos agentes públicos.
Publicidade: É o dever de divulgação oficial dos atos administrativos, permitindo que a sociedade conheça, fiscalize e controle as ações do governo. A publicidade não é apenas uma formalidade, mas um requisito para a eficácia do ato e garantia de moralidade.
Eficiência: Busca a melhoria na prestação de serviços públicos com racionalidade e qualidade.
ACCOUNTABILITY NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Accountability na administração pública é um conceito que engloba a obrigação dos gestores e agentes públicos de prestar contas, justificar suas decisões, assumir responsabilidade por seus atos e sujeitar-se a sanções em caso de má gestão, ilegalidade ou desempenho insuficiente. Ela é fundamental para a governança, transparência e controle social no uso dos recursos públicos.
MECANISMO DE TRANSPARÊNCIA PÚBLICA
O portal da Transparência, dados abertos e acesso à informação, são instrumentos cruciais para o controle social e combate à corrupção no Brasil. Lançado pela CGU, o Portal da Transparência centraliza dados de despesas, convênios e servidores, permitindo consulta livre e, via dados abertos, o cruzamento de informações. Complementarmente, a Lei de Acesso à Informação (LAI) garante o direito de solicitação de dados, consolidando a transparência.
LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO (LAI)
A Lei de Acesso à Informação, nº 12.527/2011, garante a qualquer pessoa, física ou jurídica, o direito de solicitar e receber informações públicas de todos os Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) e esferas de governo, sem necessidade de justificativa. Seus principais objetivos incluem fomentar a transparência, aumentar o controle social e combater a corrupção. O Estado é obrigado a divulgar informações ativamente e responder a pedidos.
CONTROLE SOCIAL E PARTICIPAÇÃO CIDADÃ
O controle social é a participação ativa da sociedade na fiscalização e monitoramento da gestão pública, essencial para assegurar a correta aplicação dos impostos e a melhoria dos serviços. Baseado na transparência, ele fortalece a democracia, combate à corrupção e permite o acompanhamento de orçamentos e políticas públicas por cidadãos e conselhos.
ÍNDICE DE TRANSPARÊNCIA E GOVERNANÇA PÚBLICA
O Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), especialmente o desenvolvido pela Transparência Internacional – Brasil, é a ferramenta de avaliação mais abrangente para medir a qualidade da gestão e o acesso à informação nos governos estaduais, capitais e municípios brasileiros. Ele compila dados para ranquear entes subnacionais com base em critérios de transparência ativa, passiva, integridade e participação social.
CONTROLE EXTERNO E TRIBUNAIS DE CONTAS
O controle externo, exercido pelo Poder Legislativo com o auxílio dos Tribunais de Contas (TCs), é um pilar fundamental da democracia brasileira e da administração pública, garantindo a accountability (prestação de contas, responsabilização e transparência) estatal. Os TCs atuam na fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos públicos, verificando a legalidade, legitimidade e economicidade dos atos de gestão.
RELAÇÃO ENTRE ACCOUNTABILITY, COMPLIANCE E GOVERNANÇA PÚBLICA
A relação entre accountability, compliance e governança pública é de interdependência e retroalimentação, essencial para uma gestão pública ética, eficiente e transparente. Juntos, esses conceitos formam a estrutura necessária para a prevenção de irregularidades e a promoção de boas práticas administrativas.
DESAFIOS DA TRANSPARÊNCIA NO SETOR PÚBLICO
A transparência no setor público brasileiro, pilar da democracia e fundamental para o combate à corrupção, enfrenta desafios complexos ao equilibrar o acesso à informação com a proteção de dados pessoais e o sigilo legal. A implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e da Lei de Acesso à Informação (LAI) exige uma harmonização constante para evitar a exposição indevida de dados sensíveis, garantindo a publicidade apenas do que é de interesse público.
IMPORTÂNCIA DA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL NA ÁREA
A qualificação profissional nas áreas jurídica e administrativa é um pilar fundamental para a empregabilidade, o desenvolvimento de carreira e a garantia da eficiência operacional. Com um mercado de trabalho em constante evolução e aumento da complexidade das relações de trabalho e normativas, a formação específica permite adquirir novas técnicas, adaptar-se a inovações tecnológicas e aumentar a produtividade.
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